sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Enlaces do Passado - 23º Capitulo - "Eles são teus filhos ..."

Olá Guapas,
Antes de mais quero pedir IMENSAS IMENSAS desculpas pela demora demasiado longa em postar o capitulo, mas foi-me de todo impossivel faze-lo. Espero que nao tenham desistido da história.
Em segundo lugar, quero dizer que este capitulo é especial, pois é feita a revelaçao ao ruben. Por ser um capitulo tão especial eu propos ás escritoras Diana Ferreira ( Never forget Me / Nunca é tarde para Amar / Ladrón de mi Piel) e Ana Santos ( Give Me Love / Quando um Nada se Transforma em Tudo / Barcelona , La ciudad del amor / Lo siento Pero Te Queiro ) para escreverem juntas este capitulo. Elas aceitaram e aqui está o resultado. A elas, mais um vezes, o meu muito obrigada por aceitarem tão prontamente este desafio.
Por último, pedia que dessema vossa opinião, pois não só para mim é importante saber o que acham do rumo da história como para a Ana e a Diana é importante saber o que acharam do capitulo que elas escreveram.
Fico á espera das vossas opiniões meninas (;
Beijinhos

Nii'i 






- A Sofia entrou aqui num estado de ansiedade muito elevado o que provocou uma reacção do seu organismo – explicou o médico – Como sabem ela deu entrada aqui com uma gravidez de 6 meses. A Sofia sabia que a gravidez era de risco e não podia sofrer alterações repentinas. Infelizmente, e lamento imenso anunciar, o bebé não resistiu. A Sofia perdeu o bebé – concluiu.

Rúben e Leonor acabavam de ouvir o que mais temiam. Pela primeira vez, Rúben estava a sentir aquele filho com seu, estava a sofrer como um pai que acabava de perder o seu filho. Leonor não queria acreditar naquelas palavras. Sabia como a irmã queria ser mãe, sabia como ela amava aquele bebé.

- Já lhe contaram? – perguntou Leonor.

- Não, ainda não – respondeu o médico.

- Podemos vê-la? – perguntou desta vez Rúben.

- A situação foi um pouco complicada – tentou esclarecer o médico – O bebé morreu, mas o corpo da Sofia não expulsou o bebé, não abortou. Tivemos de realizar uma cirurgia para remover o feto, uma espécie de cesariana.

Leonor e Rúben não conseguiram reagir. Aquele pormenor parecia fazer tudo ainda mais horrível, mais doloroso, mais triste.

- A cirurgia correu bem e agora a Sofia está em observação, mas ainda esta noite deve ser transferida para um quarto particular. Assim que isso acontecer, serão informados. Preferem que sejamos nós a dar-lhe a notícia, ou preferem ser vocês? – questionou o médico.

- Quero ser eu.

Rúben ficou surpreendido ao ouvir Leonor dizer aquilo. Como tencionava dizer à irmã que ela tinha perdido o filho? Onde iria arranjar coragem para fazê-lo?

- Muito bem – concordou o médico – Os meus pêsames.

- Muito obrigada – respondeu Leonor, perante o silêncio total de Ruben.

Assim que o médico virou costas, Leonor deixou escapar um suspiro. Caminhou até às cadeiras da sala de espera e deixou-se cair sobre uma. Ruben seguiu-lhe o exemplo, sentando-se na cadeira à direita dela. Enterrou o rosto entre as mãos, não querendo acreditar no que estava acontecer. Durante aqueles seis meses, nunca tinha sido o pai que aquele bebé merecia, nunca tinha sido o companheiro que Sofia merecia. E agora, agora que o bebé tinha desaparecido é que ele pensava naquilo, é que reconhecia o estúpido que tinha sido. Agora que o bebé tinha morrido e que já não havia nada a fazer.

Leonor martirizava-se, sentia-se culpada. Ela devia ter feito mais pela irmã, devia tê-la acompanhado mais e melhor, devia ter-se afastado de Rúben e ter afastado os gémeos também.

Pegou no telemóvel e ligou a Catarina. Após três toques, ela atendeu.

- Leonor! Como é que está a Sofia?

- Está bem – a voz tremeu-lhe e ela foi obrigada a respirar fundo para conseguir continuar – Mas perdeu o bebé.

Catarina ficou alguns segundos em silêncio, sem saber bem o que dizer.

- Lamento muito, Leonor. Queres que fique com os miúdos?

- Sim, era isso que te queria pedir. Não devo voltar a casa antes de amanhã.

- Eu compreendo. Queres que lhes conte ou preferes fazê-lo tu?

- Não sei – disse com um suspiro – Faz o que achares melhor, Lia.

- Está bem. Beijinho, Leonor.

- Beijinho.

Leonor desligou e Rúben encarou-a. tinha uma pergunta a fazer-lhe.

- Estavas a pensar esconder-me a paternidade dos gémeos para sempre?

Rúben tinha acabado de perder um filho, tinha percebido que tinha sido mau pai. Tinha aprendido a sua lição. Não podia esperar que tudo aquilo passasse para depois fazer aquela pergunta. Precisava de certezas, precisava de saber apenas isso.

Leonor levantou-se e olhou-o.

- Onde vais?

- Beber uma cerveja. Vou precisar de um pouco de álcool para ter esta conversa contigo e para falar com a Sofia. Vens?

Rúben olhou-o quase incrédulo, mas acabou por segui-la. Ele também precisava de uma cerveja para digerir aquela notícia.

Saíram do hospital e entraram num café pacato, mesmo em frente ao edifício hospitalar. Pediram duas cervejas e sentaram-se numa mesa perto da entrada. Era um café antigo, lembrando aquelas tabernas que acolhem bêbedos ao balcão.

Leonor bebeu um gole de cerveja e encarou Rúben, que a olhava preenchido pela decepção.

- A Filipa e o Tomás são teus filhos – admitiu enquanto olhava a garrafa de cerveja, retirando-lhe o rótulo.

- Diz-me isso na cara – pediu Rúben num tom rude.

Leonor elevou a cabeça, respirou fundo e repetiu-o, desta vez olhando bem nos olhos:

- A Filipa e o Tomás são teus filhos.

Rúben olhou-a durante alguns segundos em completo silêncio. Sabia que qualquer coisa que dissesse seria precipitado. apetecia-lhe gritar com ela, apetecia-lhe extravasar toda a sua frustração, toda a sua revolta. Mas não o fez. Limitou-se a beber a sua cerveja quase de uma só vez e a pedir outra, deixando Leonor surpreendida. Ele não iria dizer nada? Não iria perguntar mais nada? Não iria gritar com ele e dizer-lhe o quão desiludido e magoado estava?

Alguns minutos depois, voltaram ao hospital, não trocando uma única palavra.

Esperaram quase uma hora na sala de espera, até serem informados que Sofia já estava no quarto e acordada. Leonor entrou e Rúben seguiu-a.

- Como te sentes? – perguntou Leonor, aproximando-se da irmã e apertando-lhe a mão.

Rúben tinha optado por ficar perto da porta. não tinha coragem para avançar mais.

- Tenho algumas dores – respondeu Sofia combalida – E o bebé? – perguntou voltando a cabeça para a irmã.

- Sofia, lamento muito, mas o bebé não resistiu.

Não havia outra maneira de o dizer por muito que Leonor tivesse procurado desesperadamente uma. Sofia rompeu num choro intenso e Leonor abraçou-a, tentando, em vão, confortá-la. Sofia chorou durante alguns minutos nos braços da irmã. Assim que se acalmou, olhou Ruben ao fundo da sala.

- Leonor, podes deixar-nos sozinhos? – Pediu Sofia.

- Claro, claro… - acedeu, dando-lhe um beijo na testa e saindo do quarto.

Assim que a porta se fechou, Rúben aproximou-se dela, sentando-se na beira da cama. Passou a mão carinhosamente pelo rosto dela, limpando-lhe as lágrimas.

- Desculpa, Rúben – soluçou – Desculpa ter sido fraca e ter deixado que o nosso bebé morresse.

- Shiu – Rúben pousou-lhe dois dedos sobre os lábios – Não digas asneiras. Tu não tens culpa nenhuma. Aconteceu porque…tinha de acontecer. Ninguém tem culpa – afirmou, tentando convencer-se do mesmo.

- Não me deixes, Rúben – suplicou desesperada.

- Eu não te vou deixar, Sofia. Eu prometo-te.

Rúben deu-lhe um beijo na testa e deitou-se junto a ela, tentando acalmá-la. Sofia chorou até à exaustão, acabando por adormecer.

Rúben quedou-se ali mais alguns minutos, mas acabou por sair.

- Como é que ela está? – Perguntou Leonor, assim que o viu.

- Adormeceu.

- Se quiseres, eu posso ficar com ela.

- Eu vou só a casa tomar um banho, mas volto já – esclareceu com alguma frieza.

- Está bem – murmurou Leonor, vendo-o ir-se embora.



***


Depois de saber o horror que havia acontecido com Sofia, depressa Catarina se ofereceu para ficar com os meninos, visto que Leonor e Rúben estavam no hospital. Filipa e Tomás estavam alheios ao que se passava ao seu redor e Catarina agradeceu mentalmente por isso. Eles brincavam enquanto ela preparava o jantar para eles.

Catarina ouviu a campainha tocar quando estava prestes a acabar de preparar o jantar. Estranhou, não imaginando quem poderia ser, mas foi abrir. Assim que abriu a porta e se deparou com quem estava do outro lado, sentiu uma parte de si a estremecer. De todo, não esperava vê-lo. Não depois do último encontro deles. Não depois da forma como ele a tinha abandonado. O seu olhar era indecifrável mas não deixava de ser fascinante. Catarina reprimiu-se interiormente por pensar em tais coisas.

- O que fazes aqui? – A visita inesperada de Javi acabou por fazer Catarina reagir de forma mais brusca.

- Eu…o Rúben pediu-me para… - Javi estava um pouco atrapalhado e até Catarina podia ver isso – posso entrar? É que estou no meio do corredor e acho que ninguém precisa de saber porque aqui estou! – Javi tinha razão. Não era sítio para conversas mas isso implicaria deixá-lo entrar e partilhar com ele o mesmo tecto… E Catarina tinha de admitir que aquilo a incomodava bastante.

- Claro…entra! – Acabou por responder. Ele entrou e Catarina fez-lhe sinal para irem até à cozinha, já que não queria que os meninos ouvissem – afinal, o que vieste cá fazer?

- O Rúben ligou-me a contar o que se passou com a Sofia e pediu-me para te vir ajudar!

- Ajudar com o quê?!

- Com os meninos! Estás sozinha e tanto ele como a Leonor não dormem em casa!

- Eu não preciso da tua ajuda. Já tratei deles muitas vezes sozinha e não será agora que precisarei da tua ajuda! – Ripostou rudemente – podes ir embora!

- Mas eu não vou – Javi estava decidido a ficar ali – fiz uma promessa ao meu amigo e vou cumpri-la.

- E eu já disse que não quero a tua ajuda!

- Ainda não reparastes que não pedi a tua opinião nem o teu consentimento? Apenas te estou a informar que fico aqui a ajudar-te – aquela resposta tremendamente decidida e com uma ponta de arrogância, irritou Catarina profundamente. Ela respirou fundo e desviou o seu olhar do dele, acabando por virar-se para o fogão em que tinha a sopa dos meninos a aquecer.

- Espero que já tenhas jantado – comentou.

- Por acaso não.

- É que não esperava que estivesses cá, portanto não fiz um tipo de comida que desse para ti!

- Como o que tu também comeres! – Respondeu descontraído

- Serves-te com apenas uma salada?

- E só vais comer salada?!

- Vou – Javi não respondeu. Remeteu-se a um silêncio estranho, rapidamente detetado por Catarina. Olhou para trás e viu-o a tirar o casaco e a colocá-lo na sala. Voltou para junto dela e começou a abrir as portas dos armários.

- Espero que gostes de massa à carbonara. Uma grande especialidade minha! – Gabou-se – O que foi? – Perguntou ao reparar na falta de reacção de Catarina,

- Nada…podes cozinhar à vontade! – Catarina desviou-se do fogão e enquanto foi colocando a mesa, Javi preparava o jantar. Não falavam e o silêncio era verdadeiramente constrangedor. Catarina tinha de confessar que aquele cheiro estava a deliciá-la. O molho que ele estava a preparar tinha óptimo aspecto e Catarina começava a ficar com uma extrema vontade de comer. Mas sabia que não podia. Era errado comer aquilo! Iria fazer-lhe mal, aquelas comidas faziam-lhe mal, engordavam e Catarina não queria ficar mais gorda do que já era (ou pelo menos do que julgava ser).

- Porque é que nunca me dissestes que eras neta do presidente do clube? – A forma impetuosa com que Javi a abordou, assustou-a. Ficou a olhá-lo atónita, reparando que as duvidas eram muitas naquela cabeça.

- Desculpa?! Isso não te interessa… - respondeu, tentando desviar o assunto

- Eu vi a forma como vocês se falavam! Porque é que ele não te fala? Porque é que abandonastes o voleibol se já eras uma atleta do clube? – As perguntas eram imensas mas a vontade de as responder era completamente nula.

- E o que é que tu tens a ver com isso?! – Gritou-lhe – são coisas minhas, que só a mim que dizem respeito!

- Eu só te quero ajudar, Catarina! Entende isso!

- Se me quisesses mesmo ajudar não me tinhas deixado sozinha enquanto fui ao pavilhão! – Javi calou-se. Não esperava que o jogasse contra a parede daquela forma.

- Não desvies o assunto – respondeu depois de fracções de segundos a olhá-la – são coisas diferentes!

- É tudo a mesma coisa, Javi! – Era a primeira vez que Catarina tinha a ousadia de prenunciar o seu nome – deixaste-me sozinha, logo não tens o direito a saber de nada… - Catarina saiu dali,  chamando os meninos para jantarem. Sentaram-se na mesa enquanto eles conversavam deliciosamente com Javi. Ele tinha uma facilidade incrível em lidar com crianças. Isso notava-se pelo sorriso genuíno que se formava nele. Aquilo fazia Catarina vacilar. Uma parte dela dizia para confiar naquele homem mas a outra…bem, a outra era um verdadeiro misto de sensações. Dizia para ela não se abrir, para continuar no seu mundo. Num mundo que era só dela. O jantar foi passado em silêncio, pelo menos, Catarina não falava, era apenas uma espectadora da conversa de Javi com os miúdos.

Sentia-se inquieta e isso levou-a a devorar meio prato daquela massa. Estava absolutamente deliciosa e Catarina não tinha como negar isso. Enquanto comia, sentia-se satisfeita consigo mesma. Percebeu a falta que lhe fazia comer assim. Sentir na boca o paladar da comida. O gosto doce, confortante, saboroso. Sentia a falta de senti-la a escorrer e pousar no estômago. Sentia falta da sensação de ter o estômago cheio. Mas parou. Parou e encarou a realidade. Ela tinha comido demasiado. Ela tinha caído na tentação de comer aquilo que sabia que lhe iria fazer mal, aquilo que a iria fazer ficar ainda mais gorda. E só havia uma solução para remediar aquele erro…

- Catarina, não te importas de me dar outro talher? Desculpa, já que estás aí perto… - Catarina olhou-o. Viu que Javi atirara o talher de propósito para o chão. Algo o obrigava a mantê-la naquele sítio.

- Claro – Catarina foi até à gaveta e tirou de lá outro talher. Deu-lho para a mão e acabou por se sentar. Aquele olhar de súplica de Javi fê-la sentir-se culpada por pensar em cair na tentação de vomitar o que acabara de comer. Aquele olhar fazia-a sentir repulsa disso. Ele estava a fazê-la sentir-se imensamente culpada!


***


Catarina, depois de adormecer os meninos, passou pelo seu quarto e, inevitavelmente, reparou na moldura que estava despojada em cima da cómoda. Ela desbotava um sorriso calmo mas bonito.

Naquela fotografia, particularmente, ela estava bonita e magra. Sentia saudades do seu corpo assim…foi até ao espelho e reparou no seu corpo. Sentia repulsa por ver que estava gorda. Ela não podia voltar ao voleibol, caso isso voltasse a acontecer, naquele estado…não podia! Tinha de emagrecer a todo o custo! Saiu do quarto e parou na sala ao se aperceber que Javi tinha na mão uma fotografia dela com os meninos.

Ficou a mira-lo…porque ele estava ali? Catarina pensara que ele já tinha ido embora…afinal não foi o pedido do Rúben que o levara até lá? Porque ainda se mantinha ali?

- Lo siento, não vi que estavas ai… - desculpou-se Javi, ao se aperceber da presença de Catarina.

- Não faz mal. Eu pensava que já tinhas ido embora! – Apesar de não o querer de todo, Catarina não deixou de transpor um pouco de ironia na sua voz. Ainda estava magoada com ele…inconscientemente, estava.

- Acho que precisamos de falar.

- Sobre o quê? Acho que não temos nada para falar!

- Catarina, entende que eu quero ajudar-te…mas tu não deixas!

- Eu não deixo porque não é preciso ajudares-me! Pára com isso, pára de insistires em algo absurdo!

- Tu ias vomitar! Eu sabia bem que quando te preparavas para sair da cozinha, ias directamente para a sanita vomitar! Porquê? Porque fazes isso? – Javi estava indignado. Para ele, aquela doença psicológica de Catarina era um total absurdo e isso revoltava-o. Porque ela era uma rapariga bela e que se estava a auto destruir

- Deixa-me em paz Javi! – Gritou-lhe – eu não preciso de ajuda, eu não preciso de ninguém! – Gerou-se um silêncio – e por favor…vai-te embora! Agradeço por me ajudares a tomar conta dos meninos mas está na hora de ires embora! – Dito isto, Catarina vira-lhe costas. Não esperou qualquer resposta dele e muito menos que fosse aceitar o seu pedido. Ela precisava de se afastar dele. Tinha ficado exaltada e isso provocara-lhe em si efeitos devastadores, tendo parado imediatamente na cozinha e atacado na primeira coisa que lhe aparecera à frente. Aquele bolo…soube-lhe bem. Soube-lhe pela alma. Conseguia esquecer naquele pedaço de bolo todos os seus problemas e sentia-se bem consigo mesma. Instintivamente, correu para a casa de banho. Abriu a porta, puxou para cima a tampa da sanita e, quando se  preparava para induzir o vomito, sentiu uns braços a puxarem-na para trás.

- Nem penses! Não vais fazer isso!

- Larga-me Javi! – Gritou abruptamente – larga-me!

- Não! – Javi foi autoritário. Não a ia deixar cair naquela tentação…não ia – nem penses que vais vomitar, eu não te vou deixar! – Catarina fazia uma força enorme para se livrar daqueles braços à medida que a vontade de vomitar a assombrava.

- Eu preciso de vomitar!! – Os gritos dela eram exuberantes – deixa-me Javi! Deixa-me!!

- Isso está a matar-te! Tu não precisas de fazer isso…tu és bela seja por fora como por dentro! Não estás gorda mete isso na tua cabeça! – Catarina começara a chorar. Sentia-se desesperada…ela queria tanto puder acreditar nas palavras de Javi mas simplesmente algo em si a obrigava a discordar. Não era suposto ele estar a dizer aquilo, não era suposto ele estar a amarra-la com tamanha força para a proibir de vomitar. Seria mais fácil se ele a largasse…

- Eu sou gorda! – Gritou-lhe – pára de me mentir, não preciso que digas essas coisas quando eu sei ver bem o quanto eu sou gorda! – Javi viu a necessidade de a tirar dali. Levou-a para um dos quartos mais perto e sentou-a na cama. Colocou as mãos sobre o rosto dela obrigando-a a olhar para ele.

- Nunca te mentiria! Catarina…olha para mim! Tu…tu és uma rapariga tão bonita, tens um corpo bonito, não és gorda estás a ouvir? Não estás gorda! Tens de admitir que estás doente…Catarina, tu estás doente e precisas de ajuda! Só assim conseguirás ultrapassar essas ideias, só assim deixarás de vomitar…

- Pára! Eu não estou doente coisa nenhuma, porque é que me estás a mentir? Pára de me mentir Javi!! – Ela empurra-o mas Javi deteve-se a sua intenção fora mesmo abraça-la fortemente – eu não estou doente! – Ela começara a dar murros no peito de Javi mas este manteve-se firme até que, já cansada, Catarina rendeu-se ao cansaço deixando-se ficar sobre o peito dele. Javi sabia que aquela doença era destrutiva e difícil de suportar mas queria ajuda-la. Sabia que o tinha de fazer…não podia deixar ver uma mulher fantástica daquelas a morrer aos poucos. E sabia que aquela noite já havia sido uma batalha vencida, pois não a deixou fazer o que aquela doença de mais horrível tem, querer vomitar. Ela resistiu…e sentia-se vencido por isso mesmo, sabendo até que tinha uma longa batalha pela frente.





domingo, 28 de julho de 2013

Enlaces do Passado - 22º Capitulo - " A Sofia perdeu o bebe. "

       





              Catarina olhou para trás e reparou que estava um rapaz que ela não conhecia a olha-la e a sorrir.

             - Desculpa, - começou por dizer o rapaz. – não te queria assustar. Estava a passar por aqui e não pude deixar de ficar encantado com a tua voz.

            Catarina estremeceu, não se sentia bem quando lhe davam elogios, acha que não era merecedora deles. Mesmo assim, e por uma questão de educação agradeceu.

            - Obrigada. – Levanta-se, fecha o piano e preparar-se para sair.

            - Não tens de agradecer, apenas disse aquilo que está á vista de todos. Tens uma voz maravilhosa. – Catarina sorriu e seguiu o seu caminho.

            Por outro lado, o rapaz ficara ainda mais um pouco naquele local a relembrar na sua cabeça aquela música que instantes antes ouvira Catarina a cantar. Ele achava que a voz dela era maravilhosa, harmoniosa até.

            Passado algum tempo, levantou-se e seguiu para casa do seu irmão.



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Javi chegara a casa e atirara-se para cima do sofá. Porque é que sempre que ele tentava ajudar alguém essa pessoa acabava por desiludi-lo? Porque é que ele conhecia sempre as pessoas erradas? Será que ele fizera alguma coisa noutra vida e estava a pagar agora? Mas a pergunta que mais pregava na sua cabeça era: Porque é que ele se sentia tao atraído a Catarina?

Ele mal a conhecia, isso era a realidade. Javi sabia que se ia acabar por desiludir mais uma vez, aliás, essa desilusão já estava a começar. Ele ia se afastar de Catarina. Sim, era isso que ele ia fazer. Sabia que era a atitude correta a tomar, contudo sentia o seu coração pequenino sempre que pensava nisso.

Estava em volto dos seus pensamentos que nem deu pela entrada do seu irmão mais novo, Andrés, em casa.

- Então maninho, não está um lindo dia lá fora? – Perguntara-lhe o seu irmão assim que se atirava para o sofá juntando-se a Javi.

- Hum hum, lindo dia sem dúvida. – respondeu-lhe dando aquele toque de ironia que fazia transparecer que o dia não lhe tinha corrido bem e Andrés percebera isso.

- Já percebi que não estás bem e nem vou perguntar o que se passa pois sei que quando quiseres falar tu falas.

- Obrigada. – Agradeceu Javi. De facto, ele agradecia mesmo pois como ia explicar ao seu irmão que estava assim por causa de uma rapariga que mal conhecia?

- Vamos mudar de assunto. – Falou Andrés virando de frente para Javi. – Hoje conheci uma rapariga. – Javi revirou os olhos, não o fez por mal mas era justo ele não querer falar de raparigas, ou não? – Já percebi que não queres falar sobre isso, deixa lá.

- Não não, conta-me lá isso. – Respondeu-lhe sorrindo. Ele podia não querer falar de raparigas mas Andrés não tinha culpa disso.

- Eu passei naquele parque que me falaste ao vir para casa e ouvi uma rapariga a cantar. Javi, não imaginas como ela era linda. – Andrés sorriu ao relembrar-se desse momento. – Quando ela acabou de cantar fui lá ter com ela mas quase não falamos, ela foi logo embora. – Javi notou o desanimo na cara do seu irmão.

- Vais ver que ainda a vais voltar a ver e vê se dessa vez a convidas para sair.

- Espero que tenhas razão. – Concordou Andrés. – Então e tu, queres falar sobre o que se passa?

- Não é nada de mais, apenas aproximei-me de uma rapariga e acho que estava a sentir alguma coisa por ela mas acabei por me desiludir com ela. Como se já não fosse habitual. – Constatou abatido Javi.

- Raparigas não te faltam. Logo vamos sair e vais ver que animas logo. – Javi ia contrapor mas Andrés nem lhe deu hipóteses. – Nem tentes dizer nada, vamos e acabou.

A conversa sobre aquele assunto ficou por ali e continuaram sobre coisas banais.

Não deixava de ser cómico, os dois irmãos interessados na mesma mulher sem saberem. Um apaixonado mas decidira afastar-se, o outro, encantado e com vontade de a conhecer mais. O melhor? Ambos se aconselhavam mutuamente sobre ela, sem saberem que ainda muito iriam discutir e que aquela cumplicidade iria acabar, quando se apercebessem que apenas um deles ficaria com ela.



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- Mãe, o Rúben pode ser nosso pai? – Leonor olha Rúben e tentar controlar as lágrimas que lhe vinham aos olhos. Catarina estava certa, Rúben amava os meninos e eles amavam-no, e Leonor estava a privar pai e filhos da sua relação. Mas o engraçado, é que mesmo sem saber deste laço que os unia, eles lá no fundo, sentiam-no, pois mesmo conhecendo-se á pouco tempo, eles … realmente amavam-se.

- Oh Filipa, os pais não se escolhem assim. – Leonor tentou desviar o assunto para não começar a chorar ali mesmo.

- Mas mãe, nós não conhecemos o nosso pai e o Rúben é mesmo fixe para nós, vá lá, deixa-o ser nosso pai. – Desta vez fora Tomás que pedira. Leonor encontrava-se perplexa, não sabia que dizer ou fazer. Rúben ao vê-la tão atrapalhada resolveu ajuda-la.

- Que acham de eu ser o vosso pai a fingir? – Sugeriu Rúben.

- E podemos te chamar de pai?

- Por mim podem.

- E levas-nos a passear e fazer aquelas coisas todas que os meus amigos dizem que fazem com os pais? – Perguntou Tomás.

- Se a vossa mãe deixar, claro que sim. – E então todos olharam na direcção de Leonor.

Como posso não deixar? Ele é o vosso pai “ , pensou Leonor para consigo.

-Se o Rúben não se importar, eu não me vou opor.

- Fixe . – Tomás e Filipa saltaram para o colo de Rúben. Leonor saíra de mansinho porque estava mesmo quase a ceder ás lágrimas.


( ….. )


Depois de devidamente recomposta, Leonor voltara á sala. Rúben ainda não se encontrava lá.

- Onde está o Rúben? – Perguntou Sofia.

- Ficou no quarto a brincar com os meninos, eles chatearam-lhe muito a cabeça.

- Ah, não tem problema. – Sofia sorriu.

Nesse momento, ouve-se a porta de casa a abrir, olham na direcção da porta da sala e vêem Catarina.

- Não sabia que tínhamos visitas. – Inquiriu na direcção de Leonor e sorrindo na direcção dos restantes.

- A minha irmã veio cá. – Catarina cumprimentou todos mas não sabia quem era Gonçalo. Pensou ser namorado de Sofia … mas isso queria dizer que Rúben estava livre.

Catarina saiu da sala e foi ver os meninos, quando entrou no quarto deles estranhou a presença de Rúben lá.

- Por aqui? – Perguntou enquanto cumprimentava Rúben. Antes que este tivesse oportunidade de responder, Filipa antecipou-se.

- Ele é o nosso pai Lipa. – Catarina, ou Lipa, ficou estupefacta com o que ouvira. Será que Leonor tivera contado a verdade? Se Sofia e Rúben já não estavam juntos podia ser verdade que Leonor tivesse aberto os olhos e contado a verdade.

- Não acredito que ela finalmente contou a verdade. – Constatou Catarina quase em sussurro mas ainda assim audível para Rúben.

- Que disseste Catarina?

- Que já era tempo de a Leonor dizer a verdade, que és pai dos meninos. Eu avisei montes de vezes para ela parar de esconder este segredo. – á medida que ia ouvindo, Rúben nem queria acreditar. As desconfianças que tivera eram verdade, Mauro tinha razão. Como pudera ser tão burro? Ele levantou-se indo na direcção da sala. – Onde vais? – perguntou Catarina.

- Acabar com esta farsa de uma vez por todas. – Afirmou Rúben convicto.

Catarina ficou sem perceber o que se estava a passar e foi atrás de Rúben. Quando este chega na sala, todos conversavam amenamente até que Rúben entra de rompante e fala.

- Leonor, eu e tu vamos ter uma conversa e é já.

Leonor não sabia o que dizer, Catarina pedia desculpas com o olhar, Gonçalo riu interiormente, pois queria que aqueles dois se entendessem e Sofia ficou aparvalhada por não saber que Rúben e Leonor tinham aquele tipo de confiança.


- Alguém me pode explicar como vocês se conhecem? E porque me mentiram? – Sofia estava a ficar impaciente, e isso não era bom para o bebé.

Ninguém naquela sala falava, porque ninguém sabia exactamente o que dizer. Rúben estava confusa, seria de facto ele pai há já 2 anos? Leonor não entendia o que se passava mas sabia que boa coisa não era. Sofia começou a sentir o seu coração demasiado acelarado, começou a sentir-se tonta e com imensos calores.

- Eu não … eu não me estou a sentir muito bem. – Inquiriu desesperadamente Sofia enquanto levava as mãos á barriga.

O assunto que levara Rúben ali fora esquecido e todos se preocuparam em ir para o hospital com Sofia, afinal, ela estava grávida de 6 meses.


( …. )


Estavam no hospital há já duas horas, ninguém falava com ninguém e ainda na sabiam nada de Sofia. Ruben e Leonor olhavam-se. Catarina e Leonor olhavam-se. Gonçalo havia ficado em casa com os meninos.

Estavam já a desesperar quando o médico entra na sala.

- Familiares de Sofia Andrade?

- Somos nós. – Disse rapidamente Leonor e tanto Rúben como Catarina se juntaram a ela junto ao médico.


- A Sofia entrou aqui num estado de ansiedade muito elevado o que provocou uma reacção do seu organismo. Como sabem ela deu entrada aqui com uma gravidez de 6 meses. A Sofia sabia que a gravidez era de risco e não podia sofrer alterações repentinas. Infelizmente, e lamento imenso anunciar, o bebe não resistiu. A Sofia perdeu o bebe.  



Aqui fica mais um capitulo meninas.
Espero que gostem e comentem.
Beijinho

Nii'i